Durante muito tempo no séc. XIX, os fotógrafos foram considerados uma ameaça para os pintores. A fotografia aparecia como uma nova forma de expressão, podendo vir a substituir varias áreas dominadas até aí pela pintura.
Procurando a aceitação enquanto artistas, alguns, chamando-se fotógrafos pictóricos, utilizaram a fotografia “rivalizando” com a pintura, dizia Peter Henry Emerson, no séc. XIX, “contra a fotografia que reproduz com igual precisão tudo aquilo que aparece na sua objectiva”
O pictorialismo utiliza composições cuidadas, ao estilo dos movimentos artísticos da época, próximas do naturalismo, procura os cenários bucólicos, o retrato, as temáticas da pintura.
Os pictorialistas usam as regras da pintura para as suas fotografias. Henry Peach Robinson fala mesmo das leis imutáveis de todas as obras de arte, como o equilíbrio, o contraste, a unidade, a repetição, o repouso e a harmonia.
Menosprezavam a fotografia directa que definiam como simples registo. Evitando o simples acto de fotografar, as imagens eram quase sempre montagens de vários negativos. Eram muitas vezes pouco definidas, procurando alguma “falta de qualidade fotográfica”, aproximando-se da indefinição das pinceladas. Demonstrando o horror pelo pormenor, era importante manter o controlo sobre a imagem, poder decidir o que seria visível no resultado final e o que deveria ser eliminado, por ser acessório.
Como contraposição ao Pictorialismo, surge o Naturalismo. Este novo movimento pretende quebrar com o anterior sugerindo novas ideias e opções.
Essencialmente os naturalistas são puristas da fotografia, procuram a fotografia directa sem artifícios ou manipulações.
Apesar de continuarem a cuidar as composições, a seguirem o naturalismo da pintura, procuram uma maior “realidade”, menos “simulada”. Já não têm horror ao pormenor, nem a ambição de seleccionar o que passa da objectiva ao papel.
Peter Henry Emerson, questionava, em 1889, quais os avanços da fotografia em 50 anos de existência. Dizia que a fotografia estava há meio século ao serviço do Homem para o bem e para o mal.
Emerson faz uma divisão que pode, ainda hoje, gerar alguma discussão. Divide a fotografia em 3 áreas: a artística, a cientifica e a industrial.
No campo científico estava muito ocupada, dizia ele. Ao serviço da astronomia, da química, da geografia, da medicina, mostrando aos olhos humanos aquilo que nunca se tinha visto antes, o infinitamente grande e infinitamente pequeno ganhava forma visual pela primeira vez. A utilidade desta nova ferramenta como auxiliar científico pretendia investigar os fenómenos da natureza e mediante a experimentação corroborar ou desmentir velhas teorias.
No campo industrial, que inclui o lado comercial da fotografia, estão os artesãos e a maior parte do mundo fotográfico com aspirações utilitárias. Estes artesãos são os que fotografam tudo que renda dinheiro, são por isso, os fotógrafos profissionais.
No campo artístico, está a fotografia que visa apenas dar prazer estético. Diz ele que esta divisão deve apenas ser julgada por artistas experientes, fotógrafos com instrução artística.
Neste sentido, Emerson defendia a fotografia pelo prazer da arte, pelo amor, pelo princípio do fotógrafo amador.
Tanto pictorialistas como naturalistas defendiam a divisão clara entre fotografia utilitária e a artística, ambicionando a elevação ao nível das outras artes.
Mas enquanto os pictorialistas viam na fotografia apenas um meio para chegar ao objecto artístico, para os naturalistas a fotografia era, já em si, o fim a atingir.
Assim, os pictorialistas minimizam o valor da fotografia, utilizando-a como ferramenta em toda a sua plenitude. Enquanto os naturalistas são “puristas” e acreditam no valor da fotografia em si mesma, utilizando-a de uma forma directa.
Concluindo, os dois movimentos estão muito próximos aos nossos olhos. As diferenças estão, sobretudo, na forma técnica de utilização da fotografia.
Referências bibliograficas:
História da Fotografia, Pierre-Jean Amar, Edições 70
A Fotografia, Gabriel Bauret, Edições 70
A câmara clara, Roland Barthes, Edições 70
Estética Fotográfica, Joan Fontcuberta, Editorial Gustavo Gili
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